No passado dia trinta e um de maio de dois mil e treze, as turmas A,B,C, D e H, do décimo primeiro ano, da Escola Secundária Dr. Serafim Leite, percorreram a majestosa Sintra Romântica.

"Os Maias" é uma das obras que é estudada nas aulas de Português. Por isso, com a finalidade de consolidarmos e expandirmos os nossos conhecimentos, viajámos até Sintra. Aqui, realizámos duas atividades distintas: a visita ao Palácio da Pena e a execução do Roteiro Queirosiano.

No capítulo VIII d'"Os Maias", Carlos da Maia, numa busca incessante pela amada – e irmã - Maria Eduarda, desloca-se, acompanhado de Cruges, a vários hotéis (Nunes, Lawrence e Seteais), considerados os melhores e com a mais bela paisagem envolvente, quer natural, quer monumental da vila de Sintra. Através do Roteiro Queirosiano, conhecemos os locais visitados pelos dois amigos.

O Início da Aventura...

Eram cinco horas e quarenta e cinco minutos, quando chegámos à entrada da Escola Secundária Dr. Serafim Leite. Este era o ponto de encontro para todos os alunos que pretendiam viajar para Sintra. Enquanto conversávamos entre nós, mais e mais alunos chegavam. Às 6 horas e 10 minutos, já todos os ensonados exploradores haviam chegado. Era o momento de guardar as mochilas, entrar no autocarro e preparar para partir.

A viagem que nos esperava era longa, mas isso não foi um entrave à nossa boa disposição. Enquanto alguns se encontravam cheios de energia e boa disposição, outros preferiram a sua "soneca". Conversava-se, ria-se, dormia-se, jogava-se... Passado algum tempo de viagem, dois colegas nossos, o Miguel Lopes e o João Azevedo, puxaram das suas guitarras e mostraram os seus dotes musicais. Ao som da guitarra, cantavam-se inúmeras e diversas músicas, sempre num ambiente alegre. Houve, ainda, pelo meio da viagem, uma pequena paragem, para que retemperar energias.

Chegámos a Sintra ainda pela manhãzinha, por volta das nove horas e trinta minutos. Deslocámo-nos um pouco a pé e apanhámos um pequeno autocarro que nos conduziu aos arredores do Palácio da Pena. Subimos, subimos e subimos, por caminhos estreitos e cheios de curvas, até que, finalmente, avistámos o inconfundível palácio lusitano.

Dividimo-nos em grupos, pois éramos muitos e só assim seria possível explorarmos, convenientemente, o distinto monumento. Assim, fomos o segundo grupo a entrar e, ao longo da visita, deparámo-nos com um cenário incrível. Tudo tinha sido pensado ao pormenor, como referiu a nossa guia. É impressionante como, naquele tempo, foi construído algo tão magnífico.

O Palácio da Pena constitui o mais completo e notável exemplar da arquitetura portuguesa do Romantismo. Remonta a 1839, quando o rei D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha (1816-1885) adquiriu as ruínas do Mosteiro Jerónimo de Nossa Senhora da Pena e iniciou a sua adaptação a palacete. Para dirigir as obras, chamou o Barão de Eschwege, que se inspirou nos palácios da Baviera a fim de erguer este notável edifício. Extremamente fantasiosa, a arquitetura do Palácio da Pena utiliza os "fundamentos" mouriscos, góticos e manuelinos, mas também o espírito wagneriano dos castelos Schinkel do centro da Europa.

Logo à entrada, veem-se cabeças de animais selvagens e perigosos, cujo objetivo é proteger a família real. Observam-se, também, serpentes formando um "oito deitado", símbolo do infinito.

Por dentro do palácio, vislumbrava-se de tudo um pouco e pormenores realmente interessantes. Na sala de jantar, foi possível observar-se cães espalhados, de diferentes formas, pela sala. Isto devia-se ao facto de os cães caçarem a carne que a família comia. Outro exemplo de variedade eram as cabeças de elfos, que tanto nos podiam fazer rir como ter medo. O corrimão da escada que se seguia tanto nos podia parecer uma serpente como um tronco. Tudo naquele palácio é ambíguo, dando ao visitante um prazer enorme de o visitar e provocando um misto de sensações diferentes.

Algo extremamente magnífico foi ver um tritão, numa alegoria da criação do mundo. Este representava os quatro elementos (terra, água, fogo e ar). A terra, representada nos troncos e nos frutos em cima do tritão; a água, nas escamas deste e nas conchas que se situavam abaixo; o fogo, pela sua barba e cabelo que pareciam chamas; já o ar, esse não se via, sentia-se, pois, debaixo do tritão, formava-se uma grande corrente de ar e era lá que se sentia a rajada de vento.

Havia, também, um relógio de sol que estava programado para fazer rebentar, ao meio-dia, hora de almoço, a pólvora que continha dentro de si. O sol, que batia no relógio, provocava a explosão da pólvora, exatamente ao meio-dia, o que alertava os habitantes do palácio de que era hora do almoço.

Por dentro, a pintura e a escultura das paredes variava. Um dos quartos parecia ser feito de madeira, mas, na verdade, não passava de uma pintura enganosa, que nos dava essa falsa ideia. Fantástico!

A paisagem que envolvia o palácio era uma magnífica extensão de verde. Algo extremamente belo que nos provocou o anseio de voltar, para, mais uma vez, contemplarmos esta extraordinária visão.

O Palácio da Pena nasceu do facto de D. Fernando II ter decidido reconstruir um convento situado nas serras de Sintra, que, anteriormente, pertencia à Ordem de São Jerónimo, convento que ficou destruído depois do terramoto de 1755. Apesar de ter reconstruído o convento, este adaptou-o com o intuito de criar, ali, a sua casa de verão, tendo construído todo o restante palácio de raiz. Quis, então, fazer uma mistura de estilos provocando a ambiguidade de impressões na própria família e, hoje, nos visitantes.

Depois de completarmos a visita guiada, ao longo do Palácio da Pena, e depois de muitas fotografias "aqui e ali", o passo seguinte era o já desejado almoço. Fomos saindo, de forma a nos reunirmos junto à entrada do Palácio da Pena, para que pudéssemos, mais uma vez, percorrer a viagem de autocarro, desta vez rumo ao Palácio Nacional de Sintra. Aqui, sentámo-nos nas escadarias principais do palácio e deliciámo-nos com as nossas iguarias, enquanto apreciávamos a linda paisagem circundante. Depois do almoço e visto que o Roteiro Queirosiano apenas começava às três horas da tarde, tivemos tempo para visitar o paraíso natural sintrense. Vagueámos pela vila, visitámos vários lugares como o Parque da Liberdade... Tivemos tempo para examinar Sintra com o nosso monóculo de cientistas, mas longe, ainda, da minúcia de Eça. Tentámos, no entanto!...

Depois da ida ao Parque da Liberdade, encontrámo-nos todos, de novo, em frente ao Palácio Nacional de Sintra. Enquanto esperávamos, aproveitámos para tirar fotos, relaxar e apreciar o ambiente de Sintra. Como estava previsto, às três horas da tarde, iniciámos o peddypaper. Fomos divididos em grupos de cinco ou seis pessoas, em que cada um representava uma equipa. A nossa foi batizada com o nome "Os Poetas". O objetivo era responder a perguntas relativas à obra "Os Maias", segundo as instruções previamente dadas pela guia. Posteriormente, necessitávamos de encontrar o local seguinte, onde a guia se encontrava, para respondermos, novamente, às perguntas e, mais uma vez, nos dirigirmos para o próximo local.

A primeira fase foi o Palácio Nacional de Sintra, onde, antes, nos encontrávamos. Ouvimos a guia a referir que Cruges lá havia estado e que tinha achado o palácio magnífico. Este tem duas grandes chaminés, é branco e emana uma arquitetura simples.

De seguida, fomos para o hotel Tivoli, outrora o Nunes. Este foi destruído, para que pudessem construir o novo. Foi neste hotel que Cruges e Carlos da Maia se hospedaram, aquando da sua visita a Sintra, em busca de Maria Eduarda. Aqui, Carlos encontrou Palma Cavalão e Eusebiozinho com duas prostitutas, Lola e Concha. Pudemos ver, também, o hotel Vítor, já degradado, no qual se hospedaram os Cohen.

Perto do Hotel Tivoli, encontrava-se o local por onde Carlos e Cruges haviam passado, reparado e feito uma apreciação crítica negativa. No entanto, nada haviam feito para alterar o que se tinham visualizado. Sintra, na época, já representava uma zona para onde se deslocavam os membros da alta classe social. Era, portanto, inadmissível existir tanta miséria, até uma prisão, tão perto do Palácio Nacional ou de hotéis. Aquela rua era comercial e foi caracterizada por Eça como melancólica e suja. Aquando da nossa viagem, a rua apresentava essa mesma prisão, mas, obviamente, sem essa descrição. Antes, revelava um forte comércio e apresentava-se animada.

Na quarta paragem, fomos ao hotel Lawrence, o mais antigo, ainda em funcionamento, da Península Ibérica. Pudemos ver que, apesar das suas cinco estrelas, era um hotel envelhecido e pequeno. Foi neste local que Maria Eduarda esteve hospedada, previamente à visita de Carlos a Sintra. Antes de partirem para Lisboa, Carlos, Cruges e Alencar jantaram neste hotel.

Prosseguindo viagem, fomos até à Quinta da Regaleira. Esta bela quinta possui um palácio de grande beleza e jardins semelhantes. Vimos a vegetação deslumbrante, uma autêntica mistura de plantas, só possível em Sintra. A guia falou-nos de alguns aspetos relacionados com a obra, relativamente à mitologia, Vimos, também, um belo monumento adjacente à quinta da Regaleira, de arquitetura neoárabe, que se inseria perfeitamente na natureza envolvente.

A sexta paragem foi no Palácio de Seteais que, agora, é um hotel. Nesta paragem pudemos observar o grande espaço ocupado pelo seu jardim e um arco central. A guia informou-nos de possíveis origens para o nome Seteais. Aqui, Cruges sentiu-se desiludido, por causa da degradação do espaço.

A última paragem foi a Fonte da Pipa, onde pudemos ver uma fonte com duas imagens em azulejo e onde nos apercebemos, realmente, do nosso cansaço.

O roteiro acabou, mas a descoberta continuou. Fomos à Piriquita, onde pudemos comer as famosas queijadas, não fosse termos o mesmo destino de Cruges. Passada toda esta viagem, fomos descansar para as escadarias do Palácio Nacional de Sintra, aguardando, ansiosamente, o resultado do questionário preenchido durante o roteiro. Durante o tempo que demorou, para conhecermos os resultados, pudemos, ainda, aproveitar para petiscar algo, enquanto conversávamos, animadamente. Quando a guia chegou, anunciou que tínhamos ficado em segundo lugar, com 93,5 pontos e a melhor equipa de todas foi "Os Contradanças", também do 11º B, que obtiveram 97,5 pontos.

Depois de cada equipa saber a sua pontuação, deslocámo-nos até à paragem de autocarros. Aí, tivemos de esperar, perto de meia hora pelo autocarro, visto que este tinha sofrido um ligeiro atraso. Não foi motivo para desânimo, uma vez que todos se encontravam alegres, cantando sempre, até porque Sintra tem ainda mais encanto, na hora da despedida.

Depois de termos apanhado o autocarro, iniciava-se a viagem de regresso a São João da Madeira. Inicialmente, fomos jogando ao "Noite na Aldeia", um jogo de cartas. Depois de bastante tempo a jogar cartas, começámos a cantar as músicas que pairavam no leitor do autocarro, servindo o motorista de DJ. Foi então que decidimos começar todos a dançar. O cansaço era algo que não se fazia sentir e a dança foi o nosso lema. Estavam todos animados e poucos eram aqueles que se encontravam cansados. Houve, pelo meio da viagem, uma pequena paragem, tal como de manhã.

Chegámos a São João da Madeira, perto das onze horas e meia da noite. Agora, o cansaço já se fazia sentir e todos desejavam o conforto da sua cama. Terminámos, aqui, a nossa agradável e bem-sucedida visita de estudo.

Agradecimentos

A nossa visita de estudo a Sintra nunca teria sido possível sem a participação da nossa professora de Português, Dina Sarabando, responsável pela organização da visita.

Foi uma visita de estudo que já havia sido planeada, desde o início do ano. Temos a plena consciência de que preparar uma visita de estudo desta dimensão acarreta muito trabalho e, como tal, queremos agradecer, do fundo do coração, à nossa professora e grande amiga, Dina Sarabando.

Obrigado por tornar possível esta maravilhosa viagem que ficará, sempre, gravada na nossa memória e nos nossos corações.

Conclusão

Os objetivos desta visita de estudo foram alcançados com sucesso. Conseguimos, de forma criativa, consolidar as matérias que havíamos dado, nas aulas de Português. Pudemos estar em contacto com a Sintra que nos é apresentada por Eça de Queirós, na sua obra, "Os Maias", visitar os sítios que Carlos da Maia e Cruges haviam percorrido e, acima de tudo, aproveitar e divertirmo-nos com esta magnífica viagem ao estilo romântico, envolvendo-nos, ainda mais, n' "Os Maias" e desenhando uma ideia bem mais clara do ambiente que Eça de Queirós transpôs para a sua obra.


 
 
 

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