Do programa de Português, do 11.º ano, faz parte a leitura de uma das mais prestigiadas obras de Eça de Queirós, “Os Maias”. Um retrato da sociedade lisboeta da segunda metade do século XIX que tem lugar, entre outros espaços, na vila de Sintra. Assim, foi-nos proposta uma visita de estudo a este belo recanto de Portugal, que teve lugar no pretérito dia 19 de maio de 2017, com a participação de todas as turmas deste ano de escolaridade. Tal incluiu uma entrada no Palácio Nacional da Pena e a realização do roteiro queirosiano, com incidência no capítulo VIII, justamente para nos dar uma visão mais aproximada do ambiente em que ocorreu parte da ação d’ “Os Maias”.


Esta visita promoveu o contacto direto com os espaços referidos na obra, sensibilizando os alunos para a preservação do património ambiental, cultural e histórico, permitindo, igualmente, a consolidação dos conhecimentos sobre a obra.
Embora a saída estivesse marcada para as seis horas da manhã, esta iniciou-se um pouco mais tarde devido a alguns atrasos. A viagem que nos esperava era longa, mas isso não constitui um entrave à nossa boa disposição. Entre canções, brincadeiras e alguns momentos de descanso, por parte de colegas mais cansados, chegámos ao nosso destino, por volta das dez horas. Como éramos muitos alunos, tivemos de ser divididos em dois grupos. No nosso caso, seguiram as turmas A, B e D, tendo sido acompanhadas pelos professores Dina Sarabando, Cláudia Sá, Celestino Pinheiro e Carla Dias, rumo ao Palácio da Pena. A fim de o percurso se tornar menos penoso, apanhámos o autocarro da vila, a carreira 434. Contudo, ainda tivemos de subir a pé, após a chegada ao Parque da Pena, cerca de 10 minutos, momento em que aproveitámos para apreciar toda a beleza natural envolvente.

Por fim, alcançámos o almejado monumento, o mais completo e notável exemplar da arquitetura portuguesa do Romantismo. Remonta a 1839, quando o rei D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha adquiriu as ruínas do Mosteiro Jerónimo de Nossa Senhora da Pena e iniciou a sua adaptação a palacete. Para dirigir as obras, chamou o Barão de Eschwege, que se inspirou nos palácios da Baviera, a fim de erguer este notável edifício. Extremamente fantasiosa, a arquitetura do Palácio da Pena utiliza os "fundamentos" mouriscos, góticos e manuelinos, mas também o espírito wagneriano dos castelos Schinkel do centro da Europa.
Na parte interior do palácio, vislumbrámos todos os pormenores, tendo constatado que tudo era ambíguo, provocando no visitante um misto de sensações.
A paisagem que envolvia o palácio era uma magnífica extensão de verde. Algo extremamente belo que provocava, em todos nós, um verdadeiro pasmo face a tamanha beleza quase indescritível…
Depois de completarmos a visita e depois de muitos “clics” para a posteridade, o passo seguinte foi o já desejado almoço. Fomos saindo, de forma a nos reunirmos junto à entrada do Palácio da Pena, para que pudéssemos, mais uma vez, percorrer a viagem de autocarro, desta vez rumo ao Palácio Nacional de Sintra. Os visitantes da Serafim foram dispersando, aqui e ali, encontrando os outros grupos que tinham iniciado o percurso na vila, embevecidos pela linda paisagem circundante e os múltiplos turistas que têm crescido, ano após ano.
Seguiu-se o percurso queirosiano cuja finalidade era dar a conhecer aos visitantes o ambiente oitocentista desta vila, que o grande prosador Eça de Queirós utilizou como “palco” em diversas obras. Começámos, então, por uma abordagem geral, no Palácio das Valenças, focando todos os capítulos da obra-prima de Eça. O percurso, habilmente descrito na obra, é parte integrante de um dos momentos altos do enredo: Carlos da Maia, numa busca incessante pela amada – e irmã - Maria Eduarda, desloca-se, acompanhado de Cruges, a vários hotéis (Nunes, Lawrence e Seteais), considerados os melhores situados e com a mais bela paisagem envolvente, quer natural, quer monumental da vila. Começámos, então, por visitar o ex-Hotel Nunes, à direita do Palácio Nacional de Sintra, onde Carlos da Maia ficara hospedado, agora Hotel Tivoli. O nosso guia abordou, igualmente, a presença do Hotel Neto, ao lado, agora em reconstrução, cuja fachada era bastante semelhante à antiga do Hotel Nunes.
O passeio pelo centro histórico da vila velha continuou seguindo-se o Hotel Lawrence. Este é o hotel mais antigo e outrora um dos mais requintados da Península Ibérica, onde Carlos da Maia jantou com Alencar. Continuámos a nossa caminhada até chegarmos à Quinta da Regaleira. Terminámos o trajeto em Seteais, onde nos deslumbrámos com o seu grandioso jardim e o seu sui generis arco que nos permitiu, num outra ótica, avistar o Palácio da Pena, envolto em nevoeiro.
Concluído o roteiro, voltámos para a zona do Palácio Nacional de Sintra, onde lanchámos, comprámos recordações e, ao contrário de Cruges, não nos esquecemos das queijadas e dos travesseiros, na ilustre Piriquita, e que bem nos souberam!
À hora combinada, encontrámo-nos junto à paragem de autocarro para iniciarmos a viagem de regresso a casa. A animação prevaleceu com muita música e conversa à mistura…
Por volta das vinte e uma horas, chegámos a S. João da Madeira e demos por concluída a nossa agradável e bem-sucedida visita de estudo.

Professora Dina Sarabando e 11.º A

 

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11º ano - Visita de estudo a Sintra

 

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