O badalado casamento de D. João V com D. Maria Ana de Áustria foi celebrado em 1708. Preocupavam-se estes com o facto de não terem, ainda, sucessor… Pouco tempo após o voto feito por sugestão de Frei António, “já na Rainha se divizavão avultadas as demonstraçoens do concepto”.


Ora, centrados neste episódio de “Memorial do Convento”, habilmente arquitetado pelo digníssimo José Saramago, decidimos, sob sugestão dos professores de Português, percorrer as mesmas pegadas que o autor pelos longos e sumptuosos corredores do magnânimo Palácio Nacional de Mafra. Assim, devido à promessa régia, em se edificar um Convento na Vila de Mafra, caso nascesse um descendente, e tendo nascido a princesa Maria Bárbara, a 4 de dezembro de 1711, o dito convento foi sendo construído graças à dedicação de todo um povo que até lágrimas de sangue deitou por cada pedra talhada ou arremessada. E foi precisamente no mesmo povo que José Saramago se inspirou para a concretização da sua célebre obra (que lhe valeu o Nobel da Literatura), tal como na construção do faustoso monumento e de uma passarola.
Deste modo, os alunos do 12.º ano da Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite (à exceção da turma G) visitaram o Palácio Nacional, no âmbito da disciplina de Português, com o objetivo em mente de uma integração histórica da obra de Saramago e, completando a leitura desta, assistiram, igualmente, à adaptação dramatúrgica do romance pela companhia teatral curiosamente designada “Éter”.
Assim que entrámos na vila de Mafra, avistámos, de imediato, o Palácio-Convento-Basílica para o qual nos dirigimos, a fim de assistirmos, em primeiro lugar, à adaptação dramatúrgica da obra “Memorial do Convento” que foi, sem dúvida, do nosso agrado. Na nossa perspetiva, a prestação dos atores foi muito positiva e o cenário, apesar de não ser muito elaborado, era, sobretudo, versátil, adequando-se aos vários espaços físicos presentes ao longo da ação, além de que o tom cómico presente em algumas personagens contribuiu para uma melhor captação da nossa atenção.

Após este momento, fomo-nos dividindo para cada grupo saborear o seu lato repasto, longe de atingir o fausto real, embora alguns tenham aproveitado para conhecer a gastronomia local e outros ainda se renderam ao habitual companheiro de viagens escolares, o McDonald’s.
Não demorou muito para que estivéssemos, de novo, no Palácio, a fim de procedermos, em grupos distintos, a uma visita ao interior do palácio na companhia de uma guia que nos explicou os mais detalhados factos relacionados com a sua construção e arquitetura, fazendo, deste modo, uma contextualização histórica e espacial da obra de Saramago. Posteriormente, fomos conduzidos ao interior da basílica e, aqui, tivemos conhecimento de que o conjunto arquitetónico de Mafra, expoente da arte barroca, permaneceu, durante muitos séculos, como a maior construção do país, sendo a sua planta constituída por dois setores retangulares de diferentes áreas. O principal, a fachada, inclui o palácio, a igreja, com os seus pátios e torres, o refeitório, as enfermarias, a Sala dos Atos, a Capela do Campo Santo, a Sala do Capítulo e outras dependências. No primeiro andar, abre-se uma janela destinada ao rei. O andar mais pequeno, construído em conformidade com a última ampliação, contém o convento com as alas, as oficinas, as cozinhas e os anexos, vários pátios e o jardim central, além da biblioteca construída mais tarde. Para um maior facilitismo da História e da obra saramaguiana, a guia foi vincando as datas mais importantes relativas à edificação do palácio, fazendo questão de alertar para o facto de o escritor cruzar acontecimentos e personagens verídicos e fictícios, o que culmina numa história de cariz fortemente humano: Blimunda e Baltasar, unidos por um amor natural, juntam-se ao padre Bartolomeu de Gusmão e ao seu sonho de voar, fazendo nascer, assim, a passarola, fruto do saber científico do Padre, da força de trabalho de Baltasar e dos poderes de Blimunda, e que vai voar sobre as obras do Convento de Mafra, mandado edificar pelo Rei D. João V.
Ainda no interior da basílica, tomámos conhecimento do arquiteto responsável pela concretização do projeto, João Frederico Ludovice, e de quantos homens foram necessários para o edificar: cerca de 52 000.
Visitada a basílica, finalmente, entrámos no palácio que percorremos de lés a lés, tendo descoberto que existem 232 m de distância entre 0s aposentos do rei e os da rainha, que se encontram em extremidades opostas. Depois de apreciadas as mais incríveis dependências, a atestar a grandiosidade deste monumento, foi-nos possível visitar a magnífica biblioteca, a qual é, sem dúvida, o maior tesouro de Mafra, sendo não só famosa pela sua invulgar beleza, como pelo precioso recheio de cerca de 40 000 volumes de obras impressas, principalmente dos séculos XVI ao XVIII, além de manuscritos, composições musicais, códices iluminados e mapas geográficos. A maior parte destes documentos terá sido encomendada por D. João V e versam temas diversos, como Direito Civil e Eclesiástico, Medicina ou Física Experimental.
E, depois de regalarmos os nossos olhos com “mil e uma maravilhas”, era chegado o momento de abandonarmos o palácio. Aproveitámos, ainda, o curto tempo que nos restava para lanchar e deambular um pouco pela vila de Mafra. Cumpridas todas as atividades, fizemo-nos à estrada…
Em forma de conclusão, acreditamos que a obra “Memorial do Convento”, publicada em 1982, é, indiscutivelmente, um dos mais populares romances de José Saramago e uma das grandes histórias da Literatura Portuguesa contemporânea. Nele, é focada uma época de excessos e diferenças sociais, questionando-se o sentido da História de Portugal, o divórcio entre o amor, a vida feliz, o progresso da ciência e a absolutização do poder político num pequeno grupo social.
Foi, realmente, histórico este momento em que tivemos o privilégio de viajar no tempo rumo ao século XVIII...

Professora Dina Sarabando e 12.º B

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12º ano - Visita de estudo a Mafra

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