Parabéns aos alunos do 12.º A (2020/2021), José Pedro Santos, Pedro Oliveira e Tiago Tavares pelo 1.º Prémio no concurso. Parabéns à professora Coordenadora, Fátima Pais, pelo prémio especial professor coordenador que foi o rosto de uma equipa da qual fazem parte as professoras Eduarda Peixoto e Cláudia Sá. Leia a reflexão de toda a equipa...

 

Com o projeto "Da aproximação experimental à ordem de grandeza da probabilidade teórica" os alunos irão a Leiden, na Holanda.

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Coordenadora do Porjeto e professora de Informática, Fátima Pais:

Coordenar este projeto foi uma longa jornada e, por vezes, muito complexa. Como docente de Aplicações Informáticas B do 12.º ano, mais do que ensinar ferramentas digitais, vejo esta disciplina como uma oportunidade de abrir horizontes para a ciência. Daí ter centrado toda a abordagem em desafios, alguns deles centrados em concursos, sempre numa perspetiva de resolução de problemas.

Na verdade, o projeto que foi apresentado ao concurso “Jovens Cientistas” surgiu de um trabalho individual que os alunos tiveram que entregar no fim do primeiro semestre. Este trabalho, além da componente de programação, cruzava competências das outras áreas científicas, nomeadamente da Matemática e da Biologia. Tendo presente que envolveu alunos que iriam prosseguir estudo, foi-lhes pedido que além da parte experimental e de programação, elaborassem um paper científico, respeitando tanto a estrutura, como a forma. A utilização do LaTex – editor de texto científico - implicou ainda a aprendizagem de mais uma ferramenta, largamente utilizada no Ensino Superior. E assim, no final do primeiro semestre, os alunos criaram papers científicos, resultantes de um processo de investigação que passou pela definição da questão de investigação, pelo enquadramento teórico, pela componente experimental (simulações) e pela discussão e análise de resultados.
É precisamente neste momento que surge a questão que deu origem ao trabalho, agora reconhecido. Houve a ideia de juntar os resultados dos trabalhos de todos os alunos da turma e pareceu desde logo haver um padrão. E os alunos (José Santos, Pedro Oliveira e Tiago Tavares), já imbuídos num espírito de investigação, decidiram que era preciso ir mais longe, que era preciso fazer a investigação utilizando metodologias mais robustas e uma sustentação teórica mais forte. A equipa foi reforçada, integrando duas professoras de Matemática, Eduarda Peixoto e Cláudia Sá. E começou a jornada pelo deserto... Não foram encontrados estudos com a temática que estava a ser tratada – e foram consultadas dezenas de publicações científicas na área. Nesta fase, o maior receio da equipa era estar a tratar um problema que não era na verdade um problema científico. Procuramos ainda, junto da Faculdade de Engenharia do Porto, da Faculdade de Ciências, ambas da Universidade do Porto e ainda junto da Universidade de Aveiro, apoio no sentido de saber se a nossa investigação era relevante. As respostas não foram animadoras, com a exceção de um professor de Ciências de Computação da Faculdade de Ciências do Porto que lhe reconheceu algum potencial de investigação. Quem me conhece sabe que, quando acredito em algo, consigo ter uma persistência hercúlea e este sentimento contagiou quer os alunos, quer as outras docentes que também acompanharam o projeto.
Foram meses a trabalhar “sem chão”, sem certezas, mas sempre com muitas dúvidas... Mas, afinal, não é mesmo assim que se faz ciência? Mesmo quando as simulações demoravam mais de 18 horas e era necessário tratar uma quantidade infindável de dados – impossível de tratar numa folha de cálculo – e os alunos terem que aprender mais uma linguagem de programação (Pyhton) para conseguirem fazer o tratamento com 20 casas decimais.
Já com o trabalho feito e depois da escrita do paper, conseguimos que um investigador da Universidade de Hiroshima fizesse uma revisão do paper. Foi muito, muito positivo o feedback e deu-nos algumas pistas que o trabalho desenvolvido tinha alguma qualidade, embora o investigador tenha referido que, de facto, não existia trabalho feito nesta área. Foi, então, com algum alento que submetemos o projeto ao concurso Jovens Cientistas em junho de 2021.
Entretanto muita água passou debaixo da ponte... Os alunos entraram no ensino superior, começou um novo ano letivo e eu mudei de escola... Mas as relações que se estabeleceram neste pequeno grupo de investigação perduraram e, em setembro, foram chamados para uma entrevista com o Júri! Sabíamos que esta era uma etapa muito importante, sem a qual não haveria lugar a qualquer tipo de reconhecimento. Este foi um momento especialmente marcante, quer para os alunos, quer para as docentes envolvidas. Foi um privilégio enorme ter o professor doutor Pedro Abreu do Instituto Superior Técnico de Lisboa, o professor doutor Jorge Buescu da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e a professora doutora Diana Urbano da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, sob moderação do Dr. João Filipe Marques, da Ciência Viva, a fazerem a avaliação do trabalho!
Praticamente todas as questões centraram-se na componente “ciências de computação” e ficou clara a qualidade do projeto tendo sida reconhecida pelos muito ilustres jurados – o que nos encheu de orgulho e também de expectativas.
E no dia 24 foi mesmo sofrer até à última! Mas quando ouvi o primeiro prémio para “Da aproximação experimental à ordem de grandeza da probabilidade teórica”, apesar de estar fora do país e num fuso horário com alguma diferença, nada me impediu de celebrar!
Ainda estava a recuperar e de seguida fui agraciada com o “prémio especial de professor coordenador”! Foi mesmo especial!
Confesso que já tive a felicidade de orientar equipas de alunos que, nas mais variadas áreas, já conquistaram muitos prémios – a nível local, nacional e até internacional. Mas este prémio teve, por tudo o que foi anteriormente descrito, um sabor muito especial.

Neste processo todo há três agradecimentos que, não estando mencionados anteriormente, não podem deixar de ser feitos.
O primeiro é a um estudante de Física da Universidade de Ciências da Universidade do Porto, dotado de um brilhantismo ímpar e de uma argucia pouco usual, que ajudou em momentos cruciais de investigação: o André Octávio Pais Soares.
O segundo é à Fundação da Juventude pela organização desta iniciativa e especialmente na pessoa da Dr.ª Susana Chaves, que foi incansável no apoio à candidatura.
Porque os últimos são sempre os primeiros, o terceiro é para a Anabela Brandão (20/21). Para mim foi, é, e será sempre um modelo. Só com um grande apoio institucional projetos como este foram e são possíveis e ela esteve presente em todas as etapas. Além de estar como diretora, também esteve como docente de matemática. Penso falar em nome da equipa quando digo “Obrigado”!

Fátima Pais

Professora de Matemática, Eduarda Peixoto:

Participar neste projeto foi um grande privilégio.
Como professora de Matemática, habituada a certezas e a conseguir controlar todas as variáveis, a incerteza dos resultados experimentais trouxeram algumas ansiedades. Mas foi muito inspirador ver e acompanhar o verdadeiro trabalho de equipa. A motivação de uns conseguiu contagiar e incentivar os outros.
Sinto uma enorme gratidão por me terem convidado a fazer parte desta equipa. Fiz questão de a partilhar com os alunos e professores no momento da submissão do trabalho, mesmo antes das fases de seleção.
Com este trabalho deixamos do uma marca na vida destes alunos. Vi-os a experimentar, vi-os a descobrir, vi-os a aprender, vi-os a ensinar e vi-os a perceber que os professores não sabem tudo.
Na cerimónia final, o pulsar do coração acompanhou o de toda a equipa e com eles vibrei.
Com este prémio, este percurso ficará eternizado, a par de todas estas aprendizagens. A participação internacional também será para estes alunos uma experiência única e um momento de ampliar redes.
Também foi com enorme alegria que vi reconhecido o mérito da professora Fátima Pais com o prémio especial professora coordenadora. Foi realmente a grande mentora de todo o projeto e foi graças à sua persistência que chegamos a bom porto. Agradeço-lhe por me ter convidado a integrar a equipa, mesmo não sendo professora destes alunos. Com ela e com esta experiência levo um grande ensinamento para a vida. Apesar de não serem de agora as sábias palavras de Alexander Bell, não conheci até hoje ninguém que lhes fizesse maior justiça: “Não andes apenas pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros já foram”.

Eduarda Peixoto

Professora de Matemática, Cláudia Sá:

Tudo começou com uma proposta de trabalho interdisciplinar entre API e Matemática A.
No primeiro semestre a colega de API, Fátima Pais, lança-me o repto sobre o que aconteceria se juntássemos dois dos trabalhos que visavam a área das probabilidades. E o desafio estava lançado. Horas e horas de trabalho em equipa, avanços e recuos nas investigações, diálogos e discussões e muita persistência à mistura levaram a este projeto final, e à candidatura aos Jovens Cientistas. O 1.º prémio foi a cereja no topo do bolo, e a certeza que não há impossíveis. Ser professor é muito mais do que ensinar conteúdos programáticos, é levar os alunos a pensar, a questionar, a experimentar… e desta forma a Ciência acontece!

Cláudia Sá

José Pedro Santos, 12.ºA (2020/2021):

Os jovens cientistas foi o melhor projeto onde participei! Após um ano de trabalho, percebo que este projeto não só me fez melhorar os meus conhecimentos em diferentes áreas, como também me fez olhar para o quotidiano de outra forma! Desde o trabalho inicialmente desenvolvido, às horas em frente aos computadores a fazer "testes" e passando pela entrevista, considero que tudo foi importante, tornando-nos cada vez mais ricos em conhecimento. Foi, de facto, muito gratificante a nossa participação, ainda mais, após o reconhecimento do nosso esforço, por parte de grandes nomes da ciência e das engenharias do nosso país, tendo estes nos atribuído o prémio de vencedores do projeto.

José Pedro

Pedro Oliveira, 12.ºA (2020/2021):

Este projeto foi um grande desafio para mim. A investigação foi trabalhosa, tivemos que aprender vários conceitos novos e ter muitas reuniões depois de jantar. Mas apesar disso, realizar este projeto permitiu-me aprender muito e ganhar um pouco de gosto por investigação.
Ficar em 1.º lugar foi muito gratificante. Senti que o nosso trabalho árduo e horas postas no projeto tinham sido recompensadas. Quando ouvi que tínhamos ganho comecei a dar saltos de alegria. É um momento que vou levar para a vida.

Pedro

Tiago Tavares, 12.ºA (2020/2021):

Fazer parte deste projeto foi, sem dúvida, uma experiência muito boa e enriquecedora. Conseguimos o primeiro lugar no concurso, que foi um momento incrível, onde após anunciarem os quinto, quarto, terceiro e segundo prémios, já não tinha muita confiança na vitória, mas a verdade é que, no final, fez-se ouvir o nosso nome e gerou um misto de emoções em mim. Este prémio é fruto de muito trabalho árduo e dedicação, já diz o provérbio “Do trabalho e experiência, aprendeu o Homem a ciência”.

Tiago

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