Eco: recordação, vestígio, memória... A peça de teatro que os Serafins levaram ao palco, no passado dia 11 de outubro, fez ecoar na Casa da Criatividade situações e personagens que fazem parte da memória coletiva desta cidade que foi concelho há 94 anos.


Adotando uma linha cronológica perfeitamente definida, a peça conduz-nos por um intervalo temporal de sessenta anos, ou seja, entre os anos 20 e os anos 80 do século passado. A marcar as principais etapas dessa “viagem”, uma criança, a Aninhas, recorda as vivências do bisavô, ao longo dos tempos, através da leitura do seu diário, intitulado "Pedaços de Mim". Os quadros que se seguiam, normalmente “ilustrados” com fotografias das personagens ou situações representadas, procuravam aliar os temas aludidos a cenas e diálogos do quotidiano, muitas vezes reproduzindo o típico linguajar sanjoanense. Inestimável a colaboração do professor Daniel Neto na cedência de imagens das várias épocas e de personagens que integraram esta cronologia. Fazendo a ligação entre S. João da Madeira e o mundo, a representação foi oportunamente intercalada com momentos musicais e coreográficos alusivos a tendências e personagens da cena artística mundial. No final, a interpretação do Hino de S. João da Madeira foi um momento alto da simbiose que se foi estabelecendo entre o palco e a plateia: de pé, os presentes fizeram uníssono com os atores e com os músicos. 

Com um leque de atores já experimentados, os "Serafins" não se deixaram intimidar pelos ecos da pandemia e, respeitando o distanciamento recomendado, conseguiram dar vida às cenas, arrancando bastas vezes gargalhadas e aplausos do auditório: público também ele socialmente distanciado, mas nem por isso menos envolvido na representação. Essa terá sido uma das “vitórias” desta peça diferente, posta em palco em tempos anormais: o tempo pandémico e as quatro semanas que o grupo teve para a ensaiar. Mas os serafins são uma categoria de anjos e os anjos têm desses poderes…

 

A encenadora, professora Lurdes Gual, explica-nos a estrutura da peça:


O espetáculo abriu com um vídeo, realizado pela Catarina Resende, cujo guião nos conduz por alguns monumentos sanjoanenses significativos. Essa viagem é acompanhada por músicas que servem de suporte a danças coreografadas pela Filipa Gual, com o apoio das professoras da Turning Point - Escola de Dança. Os materiais usados, chapéus e sapatos, foram cedidos pelo Turismo Industrial e pelo Museu da Chapelaria, graças ao apoio da Dra Alexandra Alves e da Dra Joana Galhano, respetivamente. Inestimável foi, também, a colaboração da Academia de Música.


Épocas, personagens e situações:


. Anos 20: a emancipação concelhia associada às quezílias com os oliveirenses, a importância do Grupo Patriótico Sanjoanense e do Dr. Serafim Leite, a importância do "Chico Folheteiro" na divulgação do cinema e do teatro e a referências às primeiras telefonistas da vila;
. Anos 40: a disputa entre lavadeiras e costureiras, a Mocidade Portuguesa associada ao regime salazarista e ao Colégio Castilho, a importância da Capela de Santo António, do Teatro Cine Avenida, do Lavadouro do Pedaço e do Rio Ul;
. Anos 50: a inauguração do cinema Imperador e a sua importância para toda a região, a gripe asiática ou pneumónica, a importância do ofício de chapeleiro ao longo dos tempos, a referência à obra de João da Silva Correia, "Unhas Negras";
. Anos 60: Oliva, uma referência a nível local e nacional, a Escola Industrial e o seu 1º Diretor, o Dr. Hipólito de Carvalho, o Café Império na vida dos sanjoanenses, a subida da sanjoanense à 1ª Divisão em 1966, a Pide, a Guerra Colonial, o Furadouro, zona balnear da preferência dos sanjoanenses, a importância do jornal "O Regional", a Praça Luís Ribeiro e a Estrada Nacional nº1 a atravessar a vila de uma ponta à outra, o twist dançado nos bailes e os artistas estrangeiros que fizeram furor na época;
. Anos 70: alusão à Sanjo, Fepsa e Cortadoria Nacional do Pelo, ao 25 de abril de 74 e às primeiras eleições livres em 75 e também aos docentes que, em 1977, estavam a lecionar na nossa escola e me deixaram saudades;
. Anos 80: conquista da elevação a cidade em 16 de maio de 1984.


Elenco / Personagens:


- Ana Amorim (Aninhas) 8º D
- Gustavo Martins (Zé da Bica) 2º ano Medicina
- Sofia Paiva (Micas/ Susana) 12º B
- Maria João Santos (Belita/Felizberta) 11º A
- Bruna Santos (Laidinha/Celeste) 11º A
- Francisca Pereira (Mimosa/Gracinha) 12º C
- Mafalda Pinheiro (Perpétua/Maria Emília) 11º A
- Carolina Pereira (Guida/Misé/Lili) 10º A
- Isaac Soares (Alfredo/ Firmino) 11º A
- Samuel Pinto (Carlos/ Nele/Albino) 11º A
- Tiago Pinto (Pereira, Quim) 11º A
- José Pedro Santos (Isolino/ Mingos) 12º A
- Bianca Campos (Lucinda/Clô) 11º A
- Diana Cardoso (Alzira/Paulina) 12º A
- Guilherme Maia (Rufino/Marco) 11º A

 

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