"Por bioética entenda-se, em primeiro lugar, todo um conjunto de problemas éticos, morais e jurídicos suscitados na consciência contemporânea, desde há um quarto de século, por cientistas, médicos, biólogos, etc., em consequência de uma cada vez maior penetração da tecnociência (médica e biológica) nos ecossistemas, na vida social e concreta dos homens e, nomeadamente, na relação médico-paciente.

A bioética reage frontalmente contra a instrumentalização do homem, nomeadamente do doente, colocando um problema de fundo, que é comum à hermenêutica e a todo o apelo à responsabilidade que caracteriza o final do século XX: o que vamos fazer do homem num mundo completamente dominado pelo fascínio dos possíveis tecnocientíficos? (...) Por outras palavras, bioética levanta, sem disso ter consciência muito explícita, a questão filosófica fundamental do nosso tempo : a questão complexa da autonomia humana face à tecnociência.

Da tecnociência depende hoje a própria qualidade da Medicina e todo o conjunto dos cuidados de saúde. Invade o conjunto da praxis médica, tornando-a técnica, isto é, regulada por comportamentos quase-automáticos que instauram novos problemas no mundo da medicina e novas relações entre os seres humanos nela implicados. E esta alteração é hoje irreversível. (...) A própria introdução no âmbito da prática clínica de novos aparelhos, pesados, sofisticados e cada vez mais especializados, fez nomeadamente desaparecer afigura tradicional da solicitude, própria do médico de família; o laço de amizade implicado no serviço ao doente foi sendo substituído por equipas que tornam as relações multiplamente mediadas e anónimas. Esgotou-se, assim, o paradigma clássico da relação médico-doente e o seu princípio básico : beneficência/paternalismo.

(...) O médico, em particular, reconhece-se profundamente dilacerado entre a técnica , de que dispõe – que tal como o instante ou o reflexo não tem distância simbólica, age de um modo quase-mecânico ou causal – e o animal hermenêutico de almas que é no dia-a-dia da sua prática clínica. (...) E ele sente claramente que a evolução do seu poder-fazer já não se esgota na condição de meio da autonomia humana.. Este revela, pelo contrário, uma autonomia própria que o fascina e simultaneamente assusta exigindo-lhe, em qualquer caso, responsabilidade. Daí que o médico sinta necessidade de completar o juramento hipocrático, o seu primeiro código ético, e exige novos protocolos éticos." (Adaptado, «Questões conceptuais suscitadas pelos princípios da ética médica actual : em torno do princípio de autonomia» Maria Luísa Portocarrero Silva, in Brotéria, Braga, 1997, pp.619-620.)


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