Por graça com a titulagem desta rubrica, selecionamos para iniciar o ano letivo de sugestões para leitura a obra com o título, precisamente, Livro. Livro é a mais recente obra de José Luís Peixoto, embora date de há já quase exatamente um ano (passou a ocupar o espaço dos escaparates das livrarias no dia 24 de setembro de 2010), e se no início dissemos que havia sido por graça esta escolha, tal não significa que esse tenha sido o motivo determinante.

A presidir à nossa escolha esteve o supremo critério da qualidade e, quiçá, o de atualidade.Nesta obra, José Luís Peixoto, nome cada vez mais marcante da chamada jovem geração de escritores (na qual assumidamente se confessa integrado, embora considere redutor categorizar por afinidades) traça o retrato cru, mas terno, da realidade portuguesa dos anos cinquenta e do movimento de emigração que, então, Portugal conheceu.Pelos olhos de Ilídio, menino de seis anos, dos seus familiares e vizinhos da província alentejana veremos a nossa história recente, história e estórias de gente que fugiu da guerra e da pobreza.Mas … certos de que estes tempos já se enevoam na memória individual e coletiva, será este romance anacrónico? Ou poderá o olhar de Ilídio cruzar ainda hoje laivos de solidão, perda e orfandade em rostos que vêm de longe e noutros que, agora também, para longe vão? Todavia, desengane-se o leitor se já pensou que iria encontrar um canónico romance histórico. Livro surpreende, igualmente a esse nível. Nele encontrará duas partes distintas: a da ação e a da crítica literária, em que Livro é o próprio Livro, narrador. Mais, Livro escreve, opinando, sobre Livro. Confusos? Talvez, mas no final confusamente agradados.Ficará ao cuidado do nosso próprio olhar encontrar, ou não, a atualidade  da obra (re)encontrar os espaços rurais, em contrastes violentos  ou pacíficos, acolher os afetos e as angústias das partidas e das chegadas e refletir sobre a própria literatura. O Livro é agora nosso! Afinal, temos a autorização expressa do autor “... a vida de um livro enquanto está nas mãos do autor não é mais importante do que quando está nas mãos do leitor.” (José Luís Peixoto, DN, 2003).

Nota: Se gosta de José Luís Peixoto ou ficou curioso, tente ainda conseguir bilhete para as “Quintas de Leitura”, no Teatro do Campo Alegre (Porto), onde, em clima de tertúlia, poderá partilhar o espaço e usufruir da presença deste autor nos serões dos próximos dias 27 e 28 do corrente mês de outubro. Já foi tornado público que aí começará a ser distribuída a nova obra: Abraço.

Nota biográfica

livro1

“Veste-se quase sempre de preto e os piercings tornaram-se uma imagem de marca” (Carlos Vaz Marques, Ler, outubro 2010).


José Luís Peixoto nasceu em 1974, em Galveias, Ponte de Sor. É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (inglês e alemão) pela Universidade Nova de Lisboa. Antes de se dedicar profissionalmente à escrita em 2000, exerceu a docência na cidade da Praia (Cabo Verde) e em várias cidades de Portugal. A sua obra ficional e poética figura em dezenas de antologias e é estudada em diversas universidades nacionais e estrangeiras. Os seus romances estão publicados em países como França, Itália, Bulgária, Turquia, Finlândia, Holanda, Espanha, República Checa, Roménia, Croácia, Bielorrússia, Polónia, Brasil, Grécia, Reino Unido, Estados Unidos, Hungria, Israel, etc. Encontra-se traduzida num total de 20 idiomas e está atualmente distribuída em mais de 60 países. Os seus romances são publicados por algumas das editoras mais prestigiadas do mundo, como é o caso da Bloomsbury (Reino Unido), Doubleday/Random House (Estados Unidos), Grasset e Folio/Gallimard (França), Einaudi (Itália), Record e Companhia das Letras (Brasil), entre outras.Em 2001, recebeu o Prémio Literário José Saramago com o romance Nenhum Olhar (que foi incluído na lista do Financial Times dos melhores livros publicados em Inglaterra no ano de 2007). O seu romance Cemitério de Pianos recebeu o prémio Cálamo Outra Mirada, atribuído ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha em 2007. Em 2008, recebeu o Prémio de Poesia Daniel Faria. É colaborador regular de vários jornais e revistas como o DNA (Diário de Notícias) e o Jornal de Letras. cvc.instituto-camoes.pt/.../joseluispeixoto/joseluispeixoto1.html

Obras Publicadas

Ficção
Morreste-me (2000),
Nenhum Olhar (2000), 
Uma Casa na Escuridão (2002),
Antídoto (2003),
Minto até ao Dizer que Minto (distribuído apenas com a revista Visão, 2006),
Cemitérios de Pianos (2006),
Hoje Não ( distribuído apenas com a revista Sábado, 2007),
Cal (2007),
Livro (2010);

Poesia
A Criança em Ruínas (2001),
A Casa, a Escuridão (2002),
Gaveta de Papéis (2008),

Teatro
Anathema (2006), estreada no Theatre de la Bastille, em Paris,
A Manhã (2007),  estreada no Teatro São Luiz, em Lisboa,
Quando o Inverno Chegar (2007), estreada no Teatro São Luiz, em Lisboa;

Textos para músicas
Negócios Estrangeiros, para Da Weasel (2007),
Orfeu ed Eurídice, uma adaptação (2008).
Escreveu ainda textos para os grupos A Naifa, Quinta do Bill e para o projecto Balla, de Armando Teixeira e ainda para as cantoras Mísia, Joana Amendoeira;

Prémios
Prémio Jovens Criadores do Instituto Português da Juventude de 1997, 1998 e 2000,
Prémio José Saramago, da Fundação Círculo de Leitores, 2001,
Prémio Daniel Faria, 2008,
Prémio Cálamo Outra Mirada, 2008.


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