“Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra.
Era uma vez a gente que construiu esse convento.
Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes.
Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido.
Era uma vez.”

 

Anualmente, na disciplina de Português, realizamos uma ou duas visitas de estudo, com o objectivo de aumentar a nossa curiosidade e o nosso estímulo pelas obras que são adoptadas na sala de aula. Uma das obras a aprofundar este ano por nós é “Memorial do Convento”, do nosso premiado romancista português José Saramago, autor que faleceu recentemente.

Esta obra é uma das mais ilustres obras da Literatura Portuguesa? Porquê? É isso que vamos tentar saber! Vamos, então, fazer como Saramago e ir viver para a frente (ou mesmo dentro) do convento, vendo o quanto aquele monumento nos transporta para outro lugar, para uma realidade diferente... Para um tempo em que há Deus, o rei e, depois, a gente miúda. Quando as pedras se transportavam por bois e por homens que não deviam ter tanta inteligência como eles. Num tempo em que o único bem essencial para a vida era o... Perfume! Num tempo em que Mafra não era Mafra!... São seis menos um quarto, do dia 25 de Fevereiro, do ano 2011, acabei de chegar a S. João da Madeira e vou ter com os meus colegas de turma que chegaram mais atempadamente que eu. Já se vêem autocarros estacionados à frente da escola e uma imensidão de pessoas que, geralmente, não está a esta hora aqui. Algo perturbou a normalidade pacata deste sítio. Um grupo de alunos da Escola Secundária de Serafim Leite prepara-se para sair em excursão para Mafra. A terra dos bolinhos, da Ericeira, da Tapada, do artesanato. Tudo isto descende de uma promessa de um rei, que jurou, com a sua palavra real, que, se “inchasse” a rainha, num ano, erguia um pequeno convento de frades, mas esse pequeno convento tem camas forradas a ouro! Saímos de São João da Madeira dentro do previsto, por volta das seis horas. No autocarro, fomos com a turma do 12º F e com os professores Hugo Peixoto, Teresa Soares e com a docente responsável pela visita, a professora Dina Sarabando. Cheguei ao autocarro e acabei por adormecer nas primeiras duas horas de viagem. Acordei e o barulho no autocarro era já era elevado. Passado um pouco, acabei por meter os auriculares e, quando dei por mim, estávamos na Nazaré, local onde fizemos a paragem a meio da viagem de ida, aproveitando para lanchar. Voltámos para o autocarro e continuámos a viagem até Mafra… Chegámos a Mafra cerca das dez horas. Aqui, vi uma praceta com um enorme edifício, imponente, categórico e, sem sombra de dúvidas, o maior com dois “pequenos” grandes torreões na lateral, que se reclinavam para trás, para dar início a uma enorme fachada barroca, mas simples, com uma sobriedade enorme. Tais características não a afastando barroco, porque as curvas e as misturas estão lá, com janelas que podiam ser portas e portas que podiam ser andares. Este edifício é, indubitavelmente, um “monstro”, que segue em direcção aos céus, onde duas torres se levantam como se fossem as suas mãos, vendo-se uma parte de uma pequena cabeça. Entre as torres, tapada por um tímpano enorme, surge a cúpula, que segue em direcção ao céu. O pequeno jardim à frente realça ainda mais a grandeza do monumento, que é uma caixinha de segredos e de histórias. Depois, saí do autocarro, olhei, parei e o primeiro pensamento foi simplesmente: “Que pequeno que sou!”. Mas, ao mesmo tempo, consegui explicar o porquê de Blimunda conseguir ver através dos corpos, porque eu “consegui” ver através do monumento. Saímos e decidi ir tomar café, não me afastando muito. Entrei num pequeno café, à frente do monumento, tomei o meu merecido café e decidi ir em direcção à entrada da Basílica, até que somos chamados para dentro do Palácio. Ficámos à espera da guia, contemplando os coches. O Vítor, um dos nossos colegas, chegou mesmo a desenhá-los. Tirando fotos e na conversa, acabámos por esperar, até que somos chamados para fora, tendo a guia seguido para a frente da Basílica onde começou por abordar a verdadeira história do Palácio, o porquê, quem fez e as principais influências. Confesso que muito do que ela falou já sabia, porque faz parte do programa nacional de História da Arte, assim como da contextualização da obra saramaguiana, mas muitos dos meus colegas desconheciam tais factos. E acabámos por entrar na Basílica, onde se pode dizer, e aqui faz eco, que a Basílica é simplesmente GRANDE, com todas as suas letras. A luz entra de uma maneira quase esplêndida, nenhum lugar consegue ficar-lhe imune. O ouro dos medalhões, o tamanho das absides, os seis órgãos, os relevos e as estátuas nas absides e no altar-mor, transformam esta igreja não só num grande monumento do poder português da época, ou do que Portugal pensava ter, mas também numa enorme oferenda a Deus, por parte de Portugal, porque D, João V, na verdade, queria ser o papa, mas ficou-se pelo “Magnífico”. Estivemos alguns minutos a ouvir falar sobre as situações relativas à construção, à inauguração e ao lado humanista de D. João V. No fim, foram-nos concedidos 5 minutos para tirarmos fotos dentro da Basílica; depois, seguimos para fora e estivemos, na entrada, a falar sobre o que íamos fazer na visita guiada ao Palácio.Fiquei impressionado com tantas estátuas de excelente qualidade, o que é raro em Portugal. Fomos para a entrada do Palácio e subimos uma enorme escadaria. De seguida, demos a volta ao torreão esquerdo. Parámos nos aposentos do rei, onde vimos a cama, a sala de estar, a casa de banho e seguimos para os da rainha, onde vimos o tal corredor que el-rei tinha que passar para ir “inchar” a rainha. Apreciámos, também, os seus luxos, apesar de não serem como os do rei, mas são luxos que não estavam ao alcance de um simples mortal. Posteriormente, seguimos pela parte habitada pela corte, com decoração dos séculos XIX e XX, salientando-se o salão de jogos e a sala da caça. E, por fim, visitámos a biblioteca. Tenho que referir que esta parte foi passada muito rapidamente, não tendo tido tempo para observar com os chamados “olhos de ver.” Olhei, mas não vi... Mas o fascínio continuava e, aqui, vi livros com anos e anos de História, ouvi falar dos morcegos de Mafra e vimos, até, exemplares embalsamados. A viagem chegou ao fim naquele belo Palácio, descendo aquela escadaria enorme e fomos para o claustro, no qual esperámos pelos militares para almoçar. Apesar da fama dos militares, de serem pontuais, ainda tivemos que esperar por eles. E assim fomos para a parte do convento que, hoje, pertence ao exército português, mas que já pertenceu aos franciscanos. A simplicidade é enorme, quando comparada com a do paço real. Almoçámos e, apesar de algumas críticas, não achei o almoço muito mau. Sempre é melhor que comer comida de plástico, mas tivemos que esperar cerca de quarenta e cinco minutos para sair das instalações. Eram catorze horas e quinze minutos quando saímos e fomos outra vez tomar café. Às quinze horas, estávamos a entrar para um auditório “improvisado”, onde fomos ver a peça “Memorial do Convento”, de José Saramago, realizada pela companhia de teatro profissional “Éter”. O romance saramaguiano adaptado para teatro por Filomena Oliveira e Miguel Real – uma excelente dádiva, sem dúvida! Gostei da peça, foi boa! As condições acústicas que existiam não eram as melhores, porque aquela sala, pertencente ao século XVIII, não foi feita para auditório, mas funciona. O cenário estava muito bem concebido, a encenação foi excelente, apesar de não gostar da maneira como fizeram as mudanças de cenas. Mas, no geral, considero que se “encaixou” na peça em questão. A primeira cena, realizada no exterior, abriu a curiosidade. É ridícula e, maioritariamente, talvez seja feita consoante o improviso e o estado de espírito dos actores, mas alimenta o “bichinho”. Saliento, também, a boa coordenação de luzes e de som, ao longo da peça. Esta acabou cerca das dezasseis horas e trinta minutos, momento após o qual lanchámos e seguimos viagem. Tínhamos mais quatro horas de viagem e estávamos relativamente cansados. Chegámos pouco depois das vinte horas e trinta minutos… Quem não gostou de ir a Mafra? Acho que ninguém! Sim, isso é o que temos de retirar desta visita de estudo: se todos gostaram da experiência é porque o balanço é positivo. E o meu é, gostei de Mafra, das suas gentes, das suas histórias. Mafra encanta as pessoas e é em Mafra que muitas vontades ficaram, entre as colossais colunas de várias ordens e a simples terra do jardim. “Desprendeu-se a vontade de Baltasar Sete-Sóis, mas não subiu para as estrelas, se a terra pertencia e a Blimunda.” In Memorial do Convento, capítulo XXV, José Saramago E… a experiência não terminou aqui, porque, como já é habitual, a nossa turma, que fez crescer em si, nas aulas de Português, o bichinho pelo teatro, realizou, na última aula do 2º período, um desfile das personagens mais relevantes do “Memorial do Convento”, de José Saramago, dando vida a estes elementos tão carismáticos, que, de uma forma tão criativa, ganharam um cantinho nos nossos horizontes literários. Saramago? Sim, esteve presente e tenho a certeza que teria orgulho em nós!...Jani Rodrigues (Bartolomeu); Jéssica Costa (Scarlatti); Jéssica Correia (Blimunda); Joana Soares (Baltasar); Vítor Oliveira (Saramago); Márcia Cristina (Zé Pequeno); Joana Vieira (D. Maria Ana); Carlos Ferreira (D. João V)


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