Num século em que debater sobre as alterações climáticas e o aquecimento global se tornou a grande sensação do momento, era mais do que calculável que grandes políticos ingressariam na conversa, na tentativa de fazer parte do leque de protagonistas do momento. No meio de protestos civis, pacíficos e outros não tão pacíficos, polémicos e outros que passaram por despercebidos ou foram esquecidos, em menos de três dias, Barack Obama vestiu a bandeira americana com todo o seu orgulho e nacionalismo (como um bom americano) e afirmou: “Somos a primeira geração a sentir o efeito das alterações climáticas e a última geração que pode fazer algo a esse respeito.” Barack Obama está certo! Está certo de que o discurso hiperdramático, com uma mistura de desespero e esperança, sensacionalista e performativo, funciona para a população e é compreendido como credível para a maior parte do povo americano (com exceção de alguns vários republicanos negacionistas). No que toca ao discurso climático, Obama apresenta várias lacunas na sua afirmação. A primeira geração a sentir o efeito das alterações climáticas foi a da década de oitenta, nas oscilações de temperaturas na Gronelândia, percetíveis nos glaciares. Feitas as contas, juntando consciência, senso crítico e alguma capacidade de previsão do tempo, de acordo com as estações, realisticamente, a primeira geração seria a de setenta. Avaliando os danos provocados pela ganância do ser humano, chegamos à rápida conclusão de que (os danos) exigem trabalho, não só da geração atual, mas também das próximas. Dependendo da maneira como a sociedade se organiza e os planos que a mesma faz, podem demorar séculos, para que consigamos reverter as alterações climáticas. Por isso, contrário Barack Obama: não devemos ser a última geração que pode fazer algo a respeito das alterações climáticas. Não podemos, aliás, ser a última geração!Primeiro, é preciso desmistificar a ideia de que a regra dos 3R’s é suficiente e que devemos fazer sacríficos para mudar o futuro. O verdadeiro sacrifico tem de ser feito pelos responsáveis: donos de empresas multimilionárias que, na sua maioria, não cumprem regulações (mas também não são penalizadas), presidentes com políticas ambientais insuficientes e sem qualquer resultado significativo, como Obama. Ao ritmo da sociedade atual, talvez sejamos a última geração a não fazer nada a respeito das alterações climáticas!... Concluindo, sugiro a Barack Obama que reflita mais um pouco, que melhore a performance e o discurso para futuras ocasiões e que crie medidas reais e efetivas para a mudança climática. Sara Sousa, 12.ºC (Clube dos Jovens Repórteres)