No transato dia 11 de fevereiro, as turmas A, B, C e D, do 12.° ano, dos  Cursos Científico-Humanísticos de Ciências e Tecnologias, de Artes Visuais e de Ciências Socioeconómicas, realizaram uma visita de estudo a Lisboa e Sintra, no âmbito da disciplina de Português, tendo os 64 alunos envolvidos sido acompanhados pelas professoras Dina Sarabando, Rosa Pinho, Lurdes Gual, Ângela Resende, Maria Henrique Paula e Susana Carneiro. Esta visita consistiu num conjunto de iniciativas de caráter cultural à Casa-Museu Fernando Pessoa, ao Teatro Nacional de Sintra e à romântica vila de Sintra. Esta deslocação visou os seguintes objetivos: contactar e conhecer a vida e obra de ilustres autores portugueses, para além de consolidar conhecimentos adquiridos em contexto de sala de aula, através de vivências histórico-práticas, permitindo o domínio dos conteúdos programáticos em observação.
 

 

A jornada começou bem cedo, antes das 6h da manhã, momento em que os autocarros deram o sinal de partida. Depois de uma longa viagem, com destino à capital, por volta das 10h, os alunos seguiram para a Casa-Museu Fernando Pessoa, um local dedicado à vida e obra do ilustre autor português, que aqui viveu os seus últimos 15 anos de vida, num dos apartamentos do prédio, situado no bairro do Campo de Ourique. Há anos que a visita a esta instituição é almejada e este ano, finalmente, a equipa do AESL pôde apreciar os espaços devotos a Fernando Pessoa, ao longo de três pisos de exposições encantadoras, que prometem o cruzamento entre a memória, a criação literária e a leitura.
Cada andar deste edifício tinha uma função diferente para a imersão dos visitantes neste percurso. A entrada apresentava uma apetitosa loja de “souvenirs” relativos ao autor, na qual alguns dos presentes se perderam de amores. Já o primeiro andar da exposição é, de facto, o piso que o autor habitou, retratando a versão mais intimista de Pessoa, com factos históricos conhecidos e desconhecidos, relíquias familiares e as suas primeiras edições literárias, tudo isto envolto numa atmosfera artística e criativa moldada pelos organizadores, que cativaram todos. Por seu lado, o segundo piso possui uma parte da vasta coleção de livros pessoanos, com a sua legítima estante a protagonizar o fundo central desta parte da exposição. Além dos livros lidos por Fernando Pessoa, havia uma secção para as edições dos seus próprios livros em dezenas de línguas diferentes, de modo a ser possível uma reflexão sobre o alcance da sua escrita em todo o mundo. Nesta divisão, os visitantes puderam usufruir de alguns cartazes que continham frases carismáticas do autor, com o intuito de cada um espalhar ainda mais a palavra do ilustre português. Por fim, o terceiro piso detinha uma exposição dedicada aos heterónimos (e semi-heterónimo) de Pessoa, espelho da sua expressão poética.
Após esta primeira parte do passeio literário, no horário de almoço, alguns optaram por comer em estabelecimentos comerciais pela redondeza do bairro do Campo de Ourique, enquanto outros aproveitaram os lanches trazidos de casa.
Em seguida, os alunos despediram-se de Lisboa e chegaram, por volta das 15h, ao Teatro Nacional de Sintra, para o visionamento da peça de teatro “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, levada a palco pelo grupo “Éter”, baseada na obra homónima, publicada por José Saramago, em 1982, que procurou ser fiel à essência do romance, tendo a mesma sido adaptada, de forma inovadora.
A inclusão de dois planos de ação coincidentes, encabeçados por Saramago e por Pessoa, conferiu à peça um lado cómico, concedendo-lhe, igualmente, uma leveza estimulante. Deste modo, a constante sátira ao regime fascista, concretizada no texto pela personagem que dá corpo a Saramago, alternava com a descrição do poeta, Fernando Pessoa, que é transformado num ser jocoso. Por outro lado, a companhia ”Éter” conseguiu, de forma excecional, revelar o conflito literário no qual o título da obra está alicerçado – a morte literária do classicista inventada por Pessoa. Assim, através das discussões entre os escritores, a peça denuncia as entrelinhas da obra, clarificando as intenções do autor – “ficção, sobre ficção, sobre ficção”.
Na sequência da permanência em Sintra, embora as condições climatéricas não tivessem ajudado na concretização plena dos objetivos, neste ponto do percurso, a comitiva da Serafim Leite conseguiu, ainda, iniciar o seu passeio pedonal pela vila. Tal como previsto no romance queirosiano, “Os Maias”, esta é, sem dúvida, uma vila paradisíaca e, apesar do tempo pouco convidativo, foi impossível não apreciar a exuberância do local, quando, logo nos primeiros passos, todos foram recebidos pelo imponente Palácio Nacional de Sintra. O passeio pelas ruas preenchidas por restaurantes locais e espaços comerciais foi proveitoso, tendo alcançado um lugar de destaque a famosa «Casa da Piriquita», onde as professoras e os alunos puderam desfrutar, principalmente, das queijadas e dos travesseiros tradicionais da região, ao contrário do que sucedeu ao pobre Cruges. 
Assim, enriquecidos com novos conhecimentos e aventuras, o corpo docente e os alunos seguiram, entretanto, viagem rumo a São João da Madeira, tendo partido por volta das 18 horas e 30 minutos. Chegaram cansados, embora satisfeitos, cerca das 22 horas e 30 minutos. Uma vivência memorável a ser repetida, sem dúvida, pelos próximos alunos!
Isabelle Góes e Diana Tavares, 12.°A
«Clube dos Jovens Repórteres»
Lisboa

 
 
 

Portal do AESL

logotipo ESCOLA EMAIL